dor-costas-exerciciosDor nas costas, se livre com exercícios!

O tempo em que ela era motivo para ficar em casa, em vez de malhar, já era. Hoje, a ginástica é mais solução do que problema para esse mal moderno – basta escolher a modalidade certa.

Você passa várias horas trabalhando na frente do computador e gasta um tempão presa no trânsito todo dia. Na academia, faz seu treino de olho no relógio e, quando chega em casa à noite, só quer se jogar no sofá de qualquer jeito para assistir à sua novela. Antes de dormir, aproveita para ler um pouco na cama e não resiste àquela acessada no seu perfil no Facebook – e, confesse, já chegou até a pegar no sono conectada -, com o corpo todo torto. Essa rotina parece a sua? Você não está sozinha – nem nos hábitos nem no risco de sofrer de dor nas costas, já que ela é resultado principalmente da nossa postura errada no dia a dia.

De acordo com um estudo da Escola Nacional de Saúde Pública, 36% dos brasileiros se queixam do problema. Dado mais alarmante: a Organização Mundial de Saúde estima que 80% da população global teve, tem ou terá dor nas costas em algum momento da vida. “A mais comum é na região lombar, causada principalmente por sedentarismo, excesso de peso, erros na execução dos exercícios e postura errada no dia a dia, como sentada diante do computador e na posição escolhida para dormir”, esclarece o fisioterapeuta esportivo David Homsi, de São Paulo.

Drama feminino

Nós, mulheres, somos vítimas em potencial. Além da anatomia que convida a desequilíbrios posturais – quadris mais largos e joelhos em xis -, há os fatores salto alto, bolsa pesada carregada em um ombro só, exagero de exercícios para o bumbum, mania de encolher a barriga a fim de parecer mais magrinha… Todos vilões da dor. “No consultório, atendo três mulheres para cada homem”, confirma o ortopedista Moisés Cohen, chefe do departamento de ortopedia e traumatologia da Unifesp e diretor do Instituto Cohen de Ortopedia, Reabilitação e Medicina do Esporte, em São Paulo. Isso sem falar no momento da gravidez – quando o peso corporal aumenta e a sobrecarga na coluna também – e no stress da vida moderna, que deixam a gente com a sensação de carregar o mundo nas costas e faz o corpo sofrer de verdade.

Procura-se alívio

Quem já deu um mau jeito nas costas ou sentiu a coluna travar de repente sabe o tamanho do incômodo. No auge da dor, vale tudo: analgésico, massagem, acupuntura, fisioterapia, repouso absoluto…Todas são alternativas válidas para o alívio do desconforto desde que adotadas com orientação médica. Também é importante descobrir a origem do problema, pois há casos em que a dor nas costas é um alerta de problemas respiratórios, renais e gastrointestinais ou hérnia de disco, que se forma quando os discos intervertebrais saem da posição normal e comprimem as raízes nervosas entre as vértebras da coluna. Descartadas essas opções, esqueça qualquer desculpa para não malhar. Exercitar-se é unanimidade entre os especialistas como uma ferramenta para fortalecer o corpo, aumentar a elasticidade dos músculos das costas e relaxar – e, portanto, prevenir e tratar a dor. Nossos especialistas apontaram as aulas mais indicadas para isso, mas, antes, um alerta: se a dor persistir, consulte um ortopedista ou médico do esporte a fim de investigá-la e encontrar a melhor solução.

Musculação
“É essencial para fortalecer o core (que engloba os músculos do abdômen, da parte de baixo das costas e dos quadris), responsável pela sustentação da coluna”, fala Antônio Caputo, educador físico especializado em reabilitação, do Rio de Janeiro. “Quando você reforça essa musculatura, equilibra a forças entre a parte da frente e a de trás do corpo, diminuindo o risco de dor nas costas.” A orientação de um professor é chave para evitar erros na execução e exagero nas repetições ou na escolha das cargas – o que pode piorar a situação, em vez de melhorar. Para quem está começando, pegar leve é a regra número um. “Uma boa ideia é apostar em exercícios que usam somente o peso do corpo, em vez de partir para as máquinas”, reforça Caputo.

Natação
A fama de aula completa não é à toa: ela alonga o corpo, tonifica os músculos, trabalha a respiração e desestressa – todos benefícios que se refletem em costas sem dor. O esporte leva vantagem também porque a flutuação quase anula a ação da gravidade e, com isso, a pressão na coluna. “A água aquecida relaxa, funciona como um analgésico natural e aumenta o bem-estar de quem sente dor”, acrescenta a professora de educação física Renata Rodrigues, da Cia. Athletica no Rio de Janeiro. Mas atenção antes de pular na água. “Dependendo da causa da dor, nados borboleta, peito e crawl devem ser evitados, pois podem forçar as costas e o pescoço”, avisa Renata.

Pilates
Mesmo quem procura o método por outras razões – barriga durinha, músculos desenhados, mais alongamento – acaba prevenindo (ou aliviando, caso já tenha) a dor na lombar. “Os movimentos focam a estabilização da coluna e trabalham flexibilidade, força e equilíbrio”, diz Rafaela Porto, de São Paulo, instrutora pelo método Stott Pilates. Isso faz do pilates uma atividade ótima tanto para fortalecer o corpo quanto para tratar a dor, seja qual for a origem. Antes de começar, converse com o professor para saber se é preciso restringir algum tipo de posição. Se não houver limitação, até as grávidas podem aproveitar a prática para ajudar no controle do peso, na hora do parto (o abdômen mais forte facilita a saída do bebê) e na volta ao corpo de antes.

Treinamento funcional
“Um dos segredos do sucesso da aula se deve à infinidade de movimentos possíveis e do uso de acessórios como elásticos e bolas para desafiar o corpo de forma dinâmica e de acordo com a condição física e o objetivo de cada um”, fala Jackeline Figueiredo, fisioterapeuta do Rio de Janeiro. Para quem sente dor ou tem algum problema de coluna, a atividade pode ser usada como reabilitação – foi essa a aplicação original do funcional, quando foi idealizado, há pelo menos duas décadas: recuperar atletas lesionados e prepará-los para continuar tendo um bom desempenho em suas modalidades.

Guarde suas costas
Desvendamos alguns mitos e verdades quando o assunto é dor e atividade física!

Correr é proibido para quem tem dor nas costas.
DEPENDE. Da intensidade da corrida, do peso da corredora, do jeito como você corre. Se você ainda está muito acima do peso (cerca de 10 quilos), é bom secar antes de começar a correr, pois o impacto da atividade pode levar a lesões nas costas. Também é bom fazer musculação para lombar, pernas e abdômen para reforçar a estrutura do corpo.

Quem tem hérnia de disco não pode fazer exercício.
MITO. Até algum tempo atrás, pensava-se que a cirurgia era a única solução para a hérnia, mas esse conceito está ultrapassado. Hoje, grande parte dos casos é resolvida só com exercícios, que têm que ser indicados individualmente.

Estalar a coluna é bom para colocá-la no lugar.
MITO. Essa não é a melhor maneira de colocar o corpo no eixo, muito menos com a ajuda do namorado, de uma amiga ou de qualquer pessoa que não tenha estudado e se preparado para dar o tranco do jeito certo, o que pode piorar (e muito) a situação. O desalinhamento pode acontecer por causa da contração da musculatura das costas, que provoca dor e faz você se entortar a fim de encontrar uma posição mais confortável.

Quem tem dor nas costas não pode fazer spinning.
MITO. Desde que a bicicleta seja regulada de acordo com a sua altura, não há impedimento. “A altura do guidão e do selim deve ser ajustada para que o corpo fique ereto, e as pernas, esticadas (sem hiperestender os joelhos) enquanto você pedala”, observa David Homsi. Também é bom manter o abdômen contraído e evitar carga muito pesada e pedaladas em pé.

Três pecados para a coluna

Conheça – e evite – os erros mais comuns na hora de fazer atividade física.

Exagerar na carga
Aumentar bruscamente o peso usado nos exercícios também. “Quem quer levantar mais do que aguenta acaba sobrecarregando outras partes do corpo, além da coluna, para conseguir realizar o movimento”, fala o educador físico Antônio Caputo, do Rio de Janeiro. O certo é evoluir aos poucos.

Não estabilizar a coluna
Quadris encaixados e abdômen contraído protegem a lombar e minimizam o perigo de se machucar durante o exercício. “Flexionar os joelhos, encostar em uma parede e deitar em um banco reto são outras maneiras de preservar a coluna na musculação”, avisa David Homsi.

Agachar errado
Esse é o movimento mais simples que há, mas muita gente erra na execução. Moisés Cohen dá a dica para fazer com perfeição – e sem perigo – o exercício campeão para coxas e glúteos. “Mantenha as costas retas, sem empinar o bumbum, para não forçar a lombar”, diz. “Os joelhos não devem ultrapassar a ponta dos pés na hora do agachamento, pois, a partir desse ponto, você estará jogando a carga na articulação, e não mais na coxa”, completa.

Fonte: MdeMulher

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